Sangramento gengival: causa dentária ou hematológica?
Na maioria dos casos, o sangramento gengival tem causa local — gengivite e periodontite são as responsáveis em cerca de 80-90% dos casos. A inflamação da gengiva por acúmulo de placa bacteriana causa sangramento ao escovar ou usar fio dental.
Porém, quando o sangramento é desproporcional, espontâneo (ocorre sem escovar), persistente mesmo com boa higiene bucal, ou vem acompanhado de outros sinais de sangramento (manchas roxas, sangramento nasal), a causa pode estar no sangue — e aí o hematologista entra.
Causas hematológicas de sangramento gengival
Plaquetas baixas (trombocitopenia): a causa hematológica mais comum de sangramento gengival. Quando as plaquetas caem abaixo de 20.000-30.000, sangramento mucoso espontâneo pode ocorrer.
Distúrbios da função plaquetária: mesmo com número normal de plaquetas, elas podem não funcionar adequadamente — por medicamentos (AAS, clopidogrel, anti-inflamatórios) ou por doenças congênitas.
Doença de von Willebrand: o distúrbio hemorrágico hereditário mais comum. Embora alterações laboratoriais possam ser encontradas em até 1% da população, a doença com sintomas clínicos relevantes é bem menos frequente. Causa sangramento mucoso (gengiva, nariz, menstruação) por deficiência de um fator necessário para a adesão das plaquetas.
Deficiência de fatores de coagulação, leucemias e uso de anticoagulantes também podem causar sangramento gengival como manifestação.
Sinais de alerta para causa hematológica
Procure avaliação hematológica se o sangramento gengival vier acompanhado de: manchas roxas frequentes no corpo, sangramento nasal recorrente, menstruação muito intensa, sangramento prolongado após cortes, cansaço excessivo, febre ou perda de peso.
Também é importante investigar se: o sangramento gengival persiste apesar de tratamento dentário adequado, se começou de forma súbita sem mudança na higiene bucal, ou se há histórico familiar de sangramentos.
O que fazer
Se o sangramento é isolado e melhora com higiene bucal, provavelmente é causa dentária — mantenha acompanhamento com dentista. Se há sinais de alerta, o primeiro passo é um hemograma completo e coagulograma. Alterações nesses exames direcionam para avaliação hematológica.
Na consulta, investigo plaquetas, função plaquetária, dosagem de fator de von Willebrand, coagulograma estendido e, quando indicado, exames mais específicos. O diagnóstico correto permite tratamento direcionado e prevenção de sangramentos futuros.
Saiba mais sobre esta condição:
🩹 Distúrbios de Coagulação — Diagnóstico e tratamento →Referências
- Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH). Diretrizes e consensos — disponíveis em abhh.org.br.
- Leebeek FWG, Eikenboom JCJ. Von Willebrand's Disease. New England Journal of Medicine, 2016.
- Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH). Diretrizes e consensos — disponíveis em abhh.org.br.
Nota: Este artigo tem caráter informativo e educativo. Não substitui a avaliação médica individual. Se você tem sintomas ou exames alterados, procure um hematologista para avaliação personalizada.