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Hemograma: o que significa cada valor do seu exame de sangue

Dr. Anderson Dias·6 min de leitura·3 de fevereiro de 2026

O que é o hemograma

O hemograma completo é um exame de sangue que avalia as três principais linhagens de células produzidas pela medula óssea: hemácias (glóbulos vermelhos), leucócitos (glóbulos brancos) e plaquetas. Cada uma dessas linhagens tem funções distintas e suas alterações indicam problemas diferentes.

É o exame mais solicitado na prática médica — e também um dos mais mal interpretados. Muitas alterações geram preocupação desnecessária, enquanto outras passam despercebidas.

Série vermelha: hemácias, hemoglobina e hematócrito

As hemácias são as células que carregam oxigênio para todos os tecidos do corpo. A hemoglobina é a proteína dentro da hemácia que faz esse transporte. O hematócrito é o percentual do sangue ocupado por hemácias.

Valores baixos indicam anemia — que não é uma doença em si, mas um sinal de que algo está errado. Pode ser deficiência de ferro, vitamina B12, doença crônica ou dezenas de outras causas. Valores altos (policitemia) também precisam de investigação.

Outros índices como VCM (tamanho da hemácia), HCM e CHCM (quantidade de hemoglobina) ajudam o hematologista a direcionar a investigação da causa.

Série branca: leucócitos e seus tipos

Os leucócitos são as células de defesa do organismo. O hemograma mostra o número total e a contagem diferencial: neutrófilos, linfócitos, monócitos, eosinófilos e basófilos. Cada tipo tem uma função específica.

Leucócitos altos (leucocitose) são muito comuns em infecções e inflamações — na maioria das vezes, é uma resposta normal do corpo. Leucócitos baixos (leucopenia) podem ser causados por infecções virais, medicamentos ou, menos frequentemente, doenças da medula.

O que mais chama atenção do hematologista é a presença de células imaturas ou atípicas na contagem diferencial — isso pode indicar necessidade de investigação mais aprofundada.

Plaquetas: a coagulação

Plaquetas são fragmentos celulares essenciais para a coagulação sanguínea. Os valores normais ficam entre 150.000 e 400.000/mm³.

Plaquetas baixas (trombocitopenia) podem causar sangramentos e têm diversas causas: destruição imunológica, infecções, medicamentos, doenças do fígado ou da medula. Plaquetas altas (trombocitose) geralmente são reativas, mas podem indicar doenças mieloproliferativas.

Quando procurar um hematologista

Nem toda alteração no hemograma precisa de um especialista. Leucócitos levemente elevados durante uma gripe, por exemplo, são esperados. Porém, algumas situações merecem avaliação hematológica: alterações significativas ou persistentes em qualquer linhagem, presença de células atípicas, hemograma alterado sem causa aparente, ou quando seu médico recomenda.

O hematologista é treinado para interpretar o hemograma em profundidade, correlacionar com a história clínica e, quando necessário, analisar a lâmina de sangue no microscópio — uma ferramenta que fornece informações que os números sozinhos não mostram.

Referências

  1. Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH). Diretrizes e consensos — disponíveis em abhh.org.br.
  2. Failace R. Hemograma: Manual de Interpretação. 6ª ed. Artmed, 2015.
  3. Ministério da Saúde. Exames laboratoriais de rotina — Cadernos de Atenção Básica, 2014.

Nota: Este artigo tem caráter informativo e educativo. Não substitui a avaliação médica individual. Se você tem sintomas ou exames alterados, procure um hematologista para avaliação personalizada.

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