A anemia mais comum do mundo
A deficiência de ferro é a carência nutricional mais prevalente no mundo, afetando mais de 1 bilhão de pessoas segundo a OMS — e a anemia ferropriva é sua consequência mais conhecida. É especialmente comum em mulheres em idade fértil, gestantes, crianças e idosos. No Brasil, estima-se que 20-30% das mulheres em idade fértil e crianças tenham algum grau de deficiência de ferro.
Apesar de ser tão frequente, muitos pacientes passam meses sem diagnóstico correto ou recebem tratamento inadequado — porque a causa da perda de ferro não foi investigada.
Por que o ferro é essencial
O ferro é um componente fundamental da hemoglobina, a proteína dentro das hemácias que transporta oxigênio dos pulmões para todos os tecidos do corpo. Sem ferro suficiente, o corpo não consegue produzir hemoglobina adequadamente, e os tecidos recebem menos oxigênio.
O corpo humano não produz ferro — ele deve vir da alimentação. Carnes vermelhas, vísceras, feijão, vegetais verde-escuros e alimentos fortificados são as principais fontes. O ferro de origem animal (ferro heme) é mais bem absorvido que o de origem vegetal.
Causas: não é só alimentação
Embora a alimentação pobre em ferro seja uma causa importante, a maioria dos adultos com anemia ferropriva tem uma causa de perda de ferro: menstruação abundante (a causa mais comum em mulheres jovens), sangramento gastrointestinal oculto (úlcera, gastrite erosiva, pólipos, hemorroidas), parasitoses intestinais, doações de sangue frequentes ou absorção prejudicada (doença celíaca, cirurgia bariátrica).
Em homens adultos e mulheres após a menopausa, a anemia ferropriva sempre deve levantar a suspeita de sangramento digestivo — e a investigação com endoscopia/colonoscopia pode ser necessária.
Sintomas
Os sintomas clássicos incluem cansaço, fraqueza, palidez, tontura, falta de ar aos esforços, taquicardia, queda de cabelo, unhas quebradiças e vontade de comer gelo ou terra (pica). Muitos pacientes se acostumam com os sintomas ao longo do tempo e só percebem a diferença quando começam o tratamento.
A deficiência de ferro pode causar sintomas mesmo antes de causar anemia — estágio chamado de deficiência de ferro sem anemia, detectado por ferritina baixa com hemoglobina ainda normal.
Tratamento: mais do que tomar ferro
O tratamento da anemia ferropriva envolve duas frentes: reposição de ferro (oral ou endovenoso) e investigação/tratamento da causa da perda. Tomar ferro sem investigar a causa é como encher um balde furado.
O sulfato ferroso é o suplemento mais usado, mas causa efeitos colaterais frequentes (náusea, constipação, fezes escuras). Formas queladas e o ferro endovenoso são alternativas para pacientes com intolerância ou necessidade de reposição rápida.
O tratamento deve continuar por 3-6 meses após a normalização da hemoglobina, para repor completamente os estoques de ferro (ferritina). A maioria dos pacientes interrompe cedo demais, o que causa recidiva.
Saiba mais sobre esta condição:
🩸 Anemia — Diagnóstico e tratamento →Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Iron Deficiency Anaemia: Assessment, Prevention and Control, 2024.
- Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH). Diretrizes e consensos — disponíveis em abhh.org.br.
- Camaschella C. Iron-Deficiency Anemia. New England Journal of Medicine, 2015.
Nota: Este artigo tem caráter informativo e educativo. Não substitui a avaliação médica individual. Se você tem sintomas ou exames alterados, procure um hematologista para avaliação personalizada.